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Cidade Histórica


OS PRIMEIROS HABITANTES

Os índios Caeté habitavam essa região de muitas matas, quando chegaram os colonizadores portugueses em 1516. Além de serem grandes caçadores e pescadores, os Caeté também detinham um bom conhecimento das plantas, frutas e raízes existentes na região. Com a invasão portuguesa, os índios ofereceram resistência aos colonizadores e inúmeras lutas foram travadas com os Caeté, que só foram derrotados após muitos confrontos com as tropas lusitanas que receberam a ajuda dos índios Tabajara. Os Tabajara eram índios Potiguara vindos da Paraíba, que foram aldeados em Igarassu pelos portugueses e passaram a se chamar Tabajara.


O TERMO

A palavra Igarassu, que deu origem ao nome da cidade é oriunda do tupi e significa: Igara = Canoa; Assu = Grande. Os historiadores acreditam que o nome teria vindo da exclamação de surpresa dos índios ao avistarem as grandes caravelas portuguesas.
Para Manoel da Costa Honorato, entretanto, o nome deriva “... de três palavras índias: Hi ou Ig= Água ou Rio; Guara= Ave aquática; e Açu= Grande”. Desta forma, a palavra Igarassu significaria Rio dos Grandes Pássaros, em alusão as embarcações que demandavam ao porto do Sítio dos Marcos, durante os primeiros trinta e cinco anos de nossa história.

A FUNDAÇÃO E A EVOLUÇÃO

A Cidade, segundo a tradição, foi fundada em 27 de setembro de 1535, após a vitória dos portugueses sobre os índios Caetés e por ordem do Capitão Afonso Gonçalves – que mandou erigir no local da vitória uma capela votiva consagrada aos Santos Cosme e Damião – hoje considerada a mais antiga do Brasil.
Em 1516, entretanto, já os portugueses, através de Cristóvão Jacques, fundaram – no Sítio dos Marcos – a feitoria de Pernambuco, então um dos mais conhecidos ancoradouros do litoral brasileiro e significativo ponto de contato entre ameríndios e europeus.
A elevação à categoria de vila, ocorrida em data não precisa, mas provavelmente no ano de 1564, criou os poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário, dotando a localidade de autonomia política, administrativa e econômica.
Em 1594 foi criada a freguesia dos Santos Cosme e Damião, conforme informação do professor José Antônio Gonsalves de Melo, nas notas do artigo “O Foral de Olinda de 1537”.
Nas lutas em prol da liberdade de nosso povo, diversos foram os filhos de Igarassu que se destacaram, dentre eles podemos citar: Bento Corrêa Lima, mártir de 1710; João Gonçalves Bezerra, revolucionário de 1817; Antônio Pedro de Figueiredo (COUSIN FUSCO), socialista utópico que defendia os ideais da Revolução Praieira e professor do Liceu de Artes e Ofícios.
Na medicina, destaca-se o Dr. Cosme de Sá Pereira, um dos mais importantes médicos sanitaristas de Pernambuco e que conseguiu acabar com o Cólera Morbus no Recife, durante a epidemia de 1856.
Na religião, como destaques, podemos citar: Frei Ruperto de Jesus, Frei Feliciano de Mello, Pe. Paulo Teixeira, Pe. Antônio Jacome Bezerra e o Pe. Miguel Rodrigues Sepúlveda, um dos fundadores do Recolhimento do Sagrado Coração de Jesus.
Como titulares do Império, tivemos: Dr. Domingos Ribeiro dos Guimarães Peixoto – Barão de Igarassu; Dr. Manoel Joaquim Carneiro da Cunha – Barão de Vera Cruz; Epaminondas Vieira da Cunha – Barão de Itapissuma e Antero Vieira da Cunha – Barão de Araripe.
D. Pedro II ao visitar a vila em 05 de dezembro de 1859 achou que a localidade não tinha “nenhum futuro e só a estrada de Goiana poderá lhe dar alguma vida”.
Constituiu-se município autônomo em 28 de fevereiro de 1893, através da Lei Orgânica nº 52 de 03.08.1892, tendo sido seu primeiro prefeito o Cel. Luiz Scipião de Albuquerque Maranhão.
Foi elevada a categoria de Cidade pela Lei Estadual nº 130, de 03 de julho de 1895.
Em 26 de setembro de 1935, graças ao Projeto de Lei do então Deputado Mário Melo, a cidade de Igarassu é considerada Monumento Público Estadual.
No dia 10 de outubro de 1972, visando proteger e resguardar o rico acervo existente em nossa cidade, o Governo Federal, através do IPHAN, tombou o conjunto arquitetônico da nucleação histórica, com uma área de 0,4 Km² (396.202 m²).

HISTÓRICO DAS LOCALIDADES

CRUZ DO REBOUÇAS: A menção mais antiga a respeito da origem do nome da localidade foi encontrada depois da leitura das Denunciações e Confissões de Pernambuco 1593/95, referente à Primeira Visitação do Santo Ofício às Partes do Brasil, onde encontramos uma denúncia contra Pedro Álvares - carpinteiro morador em Inhamã, pelo crime de bigamia. No processo foram citadas como testemunhas os irmãos Francisco Vaz Rebouças e Sebastião Vaz, moradores em Igarassu, que prestaram depoimento em Olinda nos dias 03 e 10 de junho de 1595, respectivamente.
A doação das terras do Engenho Monjope em 23 de outubro de 1600, por Antônio Jorge e Maria Farinha – senhores do engenho Inhamã, para os jesuítas, não menciona o nome de Cruz do Rebouças, informa tão somente que o engenho estava localizado em Tajepe, termo da vila dos Santos Cosme e Damião.
As fontes que temos, chegadas até nós pela tradição oral, dão conta de “... que naquela localidade, a beira da estrada velha, havia uma cruz que assinalava a lembrança de alguém por um dos seus antepassados que havia sido morto naquele sítio. Como a cruz se achava nas terras de um senhor conhecido por Rebouças e neste local havia sempre terços e festejos populares, ficou o povo denominando aquelas paragens de Cruz do Rebouças...”.
Durante o período holandês, ao menos na documentação conhecida, nada aparece referindo-se a localidade como sendo Cruz do Rebouças. Cita-se muito os engenhos Inhamã, Inhamã de Baixo, Pirajuí e Novo, todos muito próximos.
No Museu Histórico de Igarassu, existe uma cópia do mapa de Johannes Vingboons de 1665, onde aparecem diversos engenhos na área hoje ocupada pela Cruz do Rebouças, nada, no entanto, relativo a atual nomenclatura.
Oficialmente, e em documentação que não deixa dúvida e segundo Pereira da Costa, o nome de Cruz do Rebouças aparece pela primeira vez em 1686, época em que formava um distrito de Ordenanças, como se pode vê em portaria passada pelo Capitão de Ordenanças Álvaro Pereira.
No II livro do Tombo da então vila de Igarassu, mandado fazer pelo Juiz Corregedor Dr. Antônio José Pereira Barroso de Miranda Leite em 1782, o nome de Cruz do Rebouças, é citado por diversas vezes.

TRÊS LADEIRAS
A notícia mais antiga encontrada sobre Três Ladeiras data de 25 de junho de 1803 e foi encontrada no livro de assentamento de Óbitos da igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem do Pasmado, então pertencente à freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Ilha de Itamaracá, tratando da morte da párvula Maria, filha de Lourenço e D. Anna Joaquina, que moravam nas Três Ladeiras, sendo sepultada na dita igreja.
A vila dista 30 quilômetros ao norte da sede do município e está situada sobre o dorso de uma grande colina que em seu prolongamento contém três elevações de onde lhe veio à denominação.
Em 27 de março de 1849, pouco tempo depois de retornar da Paraíba, onde havia indo organizar as coisas relativas à Revolução Praieira, Antônio Borges da Fonseca, acampou com sua gente na povoação. Aí, segundo informa,  recebi gente à noite. Dias depois, aos 30 de março, quando estavam acampados em Cabú, graças a uma informação do delegado de Igarassu Manoel Tomaz, pode o Cel. Bezerra, Comandante das tropas imperiais, atacar o acampamento e os homens de Borges da Fonseca que “... abandonaram o campo aos primeiros tiros, deixando para trás 8 mortos, muitos feridos, 36 armas e o arquivo da coluna. A força legal nada sofreu, mas o guia Antônio Pedro ‘que dizem ter sido quem denunciara a presença do caudilho nas matas’, perdeu a vida”.
Quando em novembro de 1874, irrompeu em Pernambuco a chamada Revolta do Quebra-Quilos, Igarassu, graças a sua proximidade do Recife, foi uma das localidades onde houve muitas “correrias, tumultos e ataques” dos revoltosos. Em Três Ladeiras, por exemplo, foi geral o “quebramento das odiadas medidas e pesos do novo sistema”. Recentemente, encontramos no Departamento de Pesquisa Histórica do Museu Histórico de Igarassu um Sumário de Culpa promovido pela justiça local contra o Tenente Francisco Dias de Albuquerque e outros. No processo, graças a diversos depoimentos, foi possível fazer uma reconstituição de quando e como foi a ação dos sediciosos na localidade. Segundo a testemunha Antônio Falcão de Mello Cavalcanti, estando ele a vender fazendas neste povoado no dia seis de dezembro de 1874, pelas duas horas da tarde ouviu soltar um foguete vendo em seguida Francisco Dias de Albuquerque dizer aí vem os marimbondos e, efetivamente, momentos depois apareceu-lhe um grupo de cinco ou seis indivíduos, que ele testemunha sabe faziam parte de um outro grupo numeroso de sediciosos que exigiram dele testemunha a entrega do metro de que se servia, ao que ele opôs-se retirando-se os desordeiros que voltaram em seguida e a força tomaram o metro que quebraram. Há informação de que todas as peças do novo sistema métrico decimal foram quebradas. Infelizmente, o processo não foi concluído por que algumas testemunhas, consideradas vitais no processo, não foram ouvidas.
A localidade já possuía em 1883 uma escola de primeiras letras, sendo seu professor o Sr. Felippe Benício Correia de Figueiredo. A capela, como informa a Câmara de Igarassu ao governo em ofício datado de 23 de setembro de 1884, “foi há pouco reconstruída sob a invocação de Nossa Senhora das Dores da Santa Cruz”.  No começo do século XX tinha cerca de 600 habitantes e feira semanal. Sua transformação em distrito se deu em face da Lei Municipal nº 148, datada de 30 de maio de 1953, e confirmada através da Lei Estadual nº 1.819, datada de 30 de dezembro de 1953. As terras que formaram a nova unidade administrativa igarassuense foram desmembradas do antigo distrito, hoje cidade de Araçoiaba. A instalação oficial do distrito, entretanto, só se deu em 12 de julho de 1954.

NOVA CRUZ
Nova Cruz ou Maria Farinha, como as demais regiões vizinhas – Vila Velha, os Marcos, Itapissuma, Olinda, Igarassu, Ponta de Pedras, etc., foi um dos primeiros pontos de contatos entre europeus e gentios. Seu porto, embora de acesso difícil, pois sua barra é muito rasa, foi com certeza utilizado por portugueses, franceses e holandeses.
Sabemos hoje que em 1540 Duarte Coelho Pereira doou a Vasco Fernandes algumas terras no lugar onde se mete o rio Jaguaribe com o rio que se chama Ayamá (Inhamã). A simples constatação desse fato nos mostra que a partir daquele ano a região passa a ser habitada e que, possivelmente, em 1573, já existia um engenho de fabricar açúcar nas proximidades da hoje vila de Nova Cruz.
As primeiras notícias concretas a respeito da localidade nos advêm de dezembro de 1594, quando D. Catharina da Motta, em suas denunciações afirmou que “... haverá dez anos, pouco mais ou menos, que um moço chamado Antônio que seria então de alguns quinze anos, que não sabe ora onde está, neto de Margarida Coelho moradora nas Olarias que estão perto de Maria Farinha, de seu genro Mathias Gonçalves, lhe disse que seu tio em cuja casa ele estivera em Olinda, depois que seu pai morrera, era Judeu...”. Esta denominação, a de Maria Farinha, segundo Serafim Leite, teria sido dado “... a praia Sul da Ilha de Itamaracá...” em homenagem a célebre benfeitora do Colégio de Olinda, que em outubro de 1600, juntamente com seu marido – Antônio Jorge, doaram aos Jesuítas as terras de Monjope. Para Pereira da Costa em seu Vocabulário Pernambucano, Maria Farinha é a fêmea do caranguejo uça-una (caranguejo preto) que parecia abundar naquela região.
No final do século XIX, havia ali umas 150 casas com uma Capela dedicada a Nossa Senhora das Dores, que foi inaugurada em 30 de dezembro de 1888, com ato solene de sua benção, bem como da imagem da padroeira.  A Lei Provincial nº 901, de 25 de junho de 1889, impôs-lhe a denominação de Nova Cruz. Em documentos oficiais – Livro de Notas do Tabelião Luís Ferreira Bandeira de Mello, a povoação já aparece citada como Nova Cruz em 1881. A Lei Municipal nº 148, de 30 de maio de 1953, criou oficialmente o distrito de Nova Cruz, tendo seu território sido desmembrado do distrito sede. A criação foi confirmada pela Lei Estadual nº 1.819, de 30 de dezembro de 1953 e o distrito foi instalado oficialmente em 1º de dezembro de 1954, conforme previa a Lei Municipal.

CUIEIRAS
As primeiras notícias que temos sobre Cuieiras nos advém de 24 de setembro de 1799 e foram encontradas no livro de Óbitos da freguesia dos Santos Cosme e Damião que cobre o período de 1797/1865. Nele, à página 10, encontramos o seguinte registro de falecimento: “... Aos 24 de setembro de mil setecentos e noventa e nove faleceu sem sacramentos por morrer de facadas, Maurício Pinheiro, viúvo morador na Cuiheira desta freguesia, foi sepultado nesta matriz, envolto em hábito branco, de que para constar mandei fazer este em que assinei. José Aranha de Vasconcellos”. Sobre este Maurício Pinheiro, infelizmente, nada conseguimos verificar nos inventários, testamentos e processos crimes existentes no Departamento de Pesquisa Histórica -D. P.H., do Museu Histórico de Igarassu, já que a documentação é toda posterior a data de falecimento supra citada.
Acerca do nome Cuieiras, encontramos no Dicionário Aurélio a seguinte definição: “... Árvore baixa, da família das bignoniáceas, de caule tortuoso, flores solitárias, grandes, esverdeadas ou amarelo-pálidas, com estrias roxas, a qual fornece madeira castanho-amarelada, dura e forte, própria para marcenaria, e cujo fruto baga é usado como vasilhas, cuias e instrumentos musicais; cabaceira, árvore-de-cuia, cuité, coité”.  É muito provável que o nome da localidade advenha dessa árvore, embora, nada comprove documentadamente até o presente, que ela tenha existido em abundância naquelas paragens.
Em 1985, ao efetuarmos a leitura paleográfica de alguns Livros Notas que se encontram no D. P. H. do Museu Histórico de Igarassu, encontramos uma escritura datada de 29 de janeiro de 1887, na qual D. Lusia do Espírito Santo Rangel, D. Francisca Joaquina Rangel e D. Isabel Emiliana Rangel, como cristãs que são doaram uma pequena sorte de terra para construção de uma Capela sob a invocação de São João Batista. A capela, infelizmente, não foi construída de imediato. A sua edificação deve-se a professora da localidade, D. Maria Dias Vidal (mais conhecida como D. Maroquinha) que conseguiu da Fábrica de Cimento Poty a doação do material. A obra foi executada com participação da população local e só ficou concluída em 1938. No começo do século XX existiam na região diversas minas de onde se extraiam cal de ótima qualidade. Ainda hoje abundam na área restos de diversos fornos de queimar esse material. Temos notícias da existência de um intenso comércio desse produto entre a localidade e a capital do Estado. Aos 13 de maio de 1937, foi inaugurada na localidade a Escola 13 de Maio, que teve como sua primeira professora D. Adélia de Oliveira Melo, que foi substituída em 1938 por D. Maria Dias Vidal (D. Maroquinha).

OS HOLANDESES EM IGARASSU

A deserção de Calabar, ocorrida em 20 de abril de 1632, foi recebida com muito apreço pelos holandeses, que convencidos da importância do novo aliado, iniciam planos para ataques fora do Recife, onde estavam encurralados.
Em 30 de abril de 1632, um sábado, saindo do Recife o cel. Deiderik van Waerdenburch, marcha com mil e quinhentos homens e guiados por Calabar se destinam à vila de Igarassu, cinco ou seis léguas ao norte do Real, perto da ilha de Itamaracá. Nesta mesma noite enviaram todas as barcaças e lanchas ao Forte de Orange, para recolher ali a sua gente da expedição, esperando-a para isto na mesma barra onde o coronel se havia de dirigir, depois de saquear Igarassu no dia seguinte. Como levou tão bom guia, não foram sentidos no caminho que seguiram, que foi pela fazenda de Antônio Mendes de Azevedo. Por parecer-lhes distante, fizeram alto, por pouco tempo, no engenho Inhamã, que era de André Coelho de Faria, pelo que não puderam chegar antes das sete para as oito horas da manhã.
O comandante holandês assim narra o cerco: “... Foi um empreendimento difícil e perigoso. Se Deus, dois dias antes, não tivesse parado as chuvas, teríamos sido forçados a voltar uma vez que o caminho passa por três alagados que chegaram até encima da cintura e que, se tivesse também chovido nos últimos dois dias como no tempo do inverno diariamente é costume, teria sido impossível atravessar esses alagados. Afinal chegamos na parte da frente da cidade perto de meio dia do dia primeiro de maio. Mandei o major Rembach com três companhias ficar em ordem de batalha. Com as três restantes ataquei a cidade de repente e tomei-a,  porque ninguém suspeitava da nossa vinda porque achavam impossível de passar por causa do mau tempo. Abatemos várias pessoas de destaque social e prendemos quatro ou cinco religiosos e outras cinco ou seis pessoas;  encontramos também mais que duzentas pipas de vinho que mandei quebrar todas por medo que os homens se excedessem na bebida e uma vez que tinha muita mulher bonita e para que não acontecessem coisas inconvenientes com elas, mandei-as todas para uma igreja com um tenente e alguns mosqueteiros para vigiá-las aí até o momento que eu parti quando as soltei e as deixei livres...”.
Não conhecesse bem Calabar as peculiaridades do terreno e talvez tivesse ocorrido uma demora fatal, que teria dado tempo aos luso-brasileiros de barrar a marcha, pois Mathias de Albuquerque, sabedor daquele movimento de tropas, já havia mandado ao seu encontro uma companhia comandada por D. Fernando da la Riba Aguero.
Diogo Lopes Santiago, assim narra o cerco da vila: “... Deram de súbito em Igarassu às noves horas da manhã, tocando suas trombetas, acharam muita gente nas igrejas por ser dia santo, alguns homens que levaram das espadas e outros que lhes saíram ao encontro mataram e feriram, roubaram as casas e igrejas importando-lhes o saque muito, assim de ouro, prata e dinheiro, e outras fazendas e móveis, e até a lã dos colchões levaram. Detiveram-se cousa de uma hora, usando de muita crueldade, deixando a muitas mulheres despidas, e a outras rasgavam as orelhas para lhes tirarem os brincos...”.
Duarte de Albuquerque Coelho, Senhor de Pernambuco, assim descreve o assalto a vila: “... Chegando o Cel. Waerdenburch às horas que já notamos começou a saquear a vila com muita facilidade, e degolou ali trinta pessoas, postadas alas de soldados pela parte externa das casas, para que ninguém subtraísse ao roubo qualquer coisa, e assim o fizeram, recolhendo todas às mulheres à igreja da Misericórdia, onde as deixavam com a só camisa no corpo. Desta igreja e da matriz levaram a prata e os vasos sagrados que acharam, tendo alguns clérigos que mais prontos acorreram, consumido o Santíssimo Sacramento. No convento de descalços franciscanos amarraram a todos, conduzindo-os para a vila que era um pouco distante, e depois os lançaram na vila de Itamaracá, levando consigo um só, chamado frei Boaventura, que daí a alguns dias largaram na ilha Terceira”.
Depois desse ataque, a vila sofreria outras incursões do inimigo holandês durante os 24 anos que durou a ocupação do território Pernambucano.


A EDUCAÇÃO EM IGARASSU

As primeiras notícias que temos sobre o ensino regular em Igarassu nos advêm do último quartel do século XVI quando aqui residiu o famoso literato português Bento Teixeira, que teria na sua residência, aberto uma escola para rapazes.
Vida efêmera teve essa primeira escola, pois por motivos particulares, Bento Teixeira mudou-se para o Cabo de Santo Agostinho. A partir daquele momento, como era práxis em todo o Brasil, esse mister passou a ser, provavelmente realizado pelos religiosos franciscanos que se instalaram na vila em 1588.
Durante todo século XVII, serão os religiosos ligados as mais diversas ordens aqui instaladas que, a serviço público ou contratados pelos abastados senhores de engenho, cuidarão da difícil tarefa de educar os filhos da classe mais favorecida.
Com a efetivação de Santo Antônio como protetor perpétuo da Câmara de Igarassu em novembro de 1754, recebendo a propina de vinte sete mil réis anualmente, os religiosos daquela ordem foram obrigados a manter, em contra partida, uma escola de gramática latina para os filhos da vila.
Com a reforma pombalina e a expulsão dos Jesuítas do Brasil, o ensino passa a ser responsabilidade do Estado que assume gerenciar a nomeação e pagamento dos professores, na sua maior parte, ainda ligados a outras instituições religiosas.
Em fins do Século XVIII, a vila e o seu termo, possuíam dois professores, sendo um de gramática latina e outro de primeiras letras.
Em documentos do governo da Capitania, referente ao pagamento dos professores régios, encontramos a seguinte informação sobre os mestres de Igarassu:
O Pe. Antonio José Cavalcanti Lins, Professor de Gramática, com ordenado de 240$000, desistiu da Cadeira no último de Março de 1799.
José Pedro Caldas Brandão, que sucedeu ao sobre dito na mesma Cadeira, com o mesmo ordenado anual, recebeu de 5 quartéis até Dezembro de 1800.
Manoel Joaquim de Alvarenga, Professor das primeiras Letras, com ordenado anual de 80$000, desistiu da Cadeira desta Vila no último de setembro de 1800, e recebeu sete quartéis vencidos.
Em agosto de 1821, durante o juramento feito pela nobreza, povo e clero desta vila as Bases da Constituição que se discutia em Lisboa, por conta da Revolução do Porto, o padre Joaquim Marques da Rocha – professor de gramática latina da então vila de Igarassu, graças ao impedimento legal do nosso vigário, presidiu a solenidade, deferindo a todos aquele procedimento legal.
Ainda no mesmo livro, desta feita no rol das assinaturas dos presentes, se encontra o nome de Elias Ribeiro do Vale – professor das primeiras letras também desta vila.          

A LITERATURA EM IGARASSU

A história da literatura no município de Igarassu começou ainda no século XVI, quando aqui residiu o poeta Bento Teixeira, autor da famosa ”Prosopopéia”.
No século XVIII, Gregório de Matos, outro famoso literato brasileiro, ao defender um criado do Juiz de Direito de Igarassu acusado de tratar de forma desrespeitosa aquela autoridade, se dirigindo ao mesmo com certa intimidade, em pleno júri criou esta prosa: A El Rei trata-se por vós, A Deus trata-se por tu, como trataremos nós o Juiz de Igarassu: Tu ou vós, vós ou tu?
No século XIX, um natural de Igarassu vai destacar-se no meio literário pernambucano. Trata-se de Antônio Pedro de Figueiredo, mulato nascido no convento franciscano por volta de 1822 e que se tornou jornalista e professor. Em 1843, com apenas 21 anos de idade, iniciou a tradução e publicação da História da Filosofia de Victor Cousin, de quem defendia as idéias.
Aos 03 de fevereiro de 1884, foi fundada uma sociedade literária denominada GABINETE DE LITERATURA IGARASSUENSE, tenso sido sua primeira diretoria constituída dos seguintes cidadãos: Pe. Floriano de Queiroz Coutinho, Dr. Francisco Xavier Paes Barreto e os senhores João Antônio Cavalcanti d’Albuquerque e José Benigno do Amaral.
Em 1893, a situação da instituição parecia não ser das melhores, pois o prefeito de então João Francisco do Amaral informava em ofício ao governo que estava “...entrando em entendimento com a atual diretoria da sociedade para evitar que ela não venha a aniquilar-se”.
Infelizmente, no início do século XX, a sociedade e a sua biblioteca com cerca de 1500 volumes, desapareceram sem deixar nenhum vestígio.
A partir da segunda metade século XX, a produção literária volta com toda força, com a criação dos jornais locais e da ala feminina do Instituto Histórico de Igarassu.
Esta geração é formada por poetas e músicos do quilate de Ana Bandeira de Menezes, Carmem Valpassos Vieira de Melo, Cleonice Nóbrega Fragoso de Melo, Diógenes Novelino da Silva, Guilherme Jorge Paes Barrêtto, Jonas Francisco Vieira – o Velho Faceta, José Américo de Morais, José Cabral da Rocha, José Eduardo da Silva Brito, José Joaquim Lopes de Melo, José Martins do Carmo, Luiz Gonzaga Menezes, Narciso Félix de Araújo, Pedro de Melo Costa, Severino José Gomes da Silva, Walfrido Uchôa Cavalcanti.
O início do século XXI é auspicioso, surge uma nova e promissora geração de talentosos artistas das letras, destacando-se entre eles Alexandrina Verônica Guedes das Neves; Ilka Nóbrega de Melo Santos; Izabella Nóbrega de Melo Madureira; Jonatas Onofre Teixeira Júnior, Maria da Conceição André e Maurinaldo Antônio de Moura.


A IMPRENSA EM IGARASSU

Antes da criação de um órgão regular para divulgação das notícias em nossa cidade, apenas alguns poucos cidadãos aqui residentes, recebiam em suas casas, e às vezes com dias de atraso, os principais periódicos da capital.
Outra forma de circulação das informações eram as correspondências trazidas pelos correios, telégrafos ou, ainda, as comunicações entre os órgãos oficiais.
A história da imprensa em Igarassu, ao contrário de muitos municípios de Pernambuco, começou tardiamente, só no segundo quartel do século XX, mais precisamente em 1918, quando aqui surgiu o Jornal “PALAVRA DE IGUARASSU”, que parece ter tido duração efêmera.
O periódico era manuscrito e de circulação mensal, tendo como redator o Sr. Severino Ramos Bezerra, de quem nada conseguimos averiguar.
Com o encerramento das atividades da “Palavra de Iguarassu”, nenhum movimento surgiu para impulsionar a criação de um novo noticiário escrito em nossa cidade.
As informações que possuímos hoje, referente aquele período de nossa história, nos advêm dos diários de João Baptista Bezerra de Mello Filho, que pacientemente, registrou tudo que acontecia de interessante em nosso município.
Na verdade, só depois de 34 anos, em 1952 é que, de novo, o município teria a circulação de um periódico.
Desta feita, um grupo de abnegados igarassuenses fundaram a “VOZ DE IGARASSU”, que iniciou suas atividades em 16 de novembro de 1952, como órgão independente e noticioso, tendo como diretores os senhores Walfrido Uchôa Cavalcanti e José Eduardo da Silva Brito.
O jornal, ligado ao grupo político do Dr. Paulo Guerra, tinha publicação mensal e circulou até o dia 12 de março de 1961, quando encerrou suas atividades.
Nesse meio termo, graças ao acirramento da política local, o Dr. Nelson Andrade de Oliveira, proprietário, industrial e líder da UDN local, fundou aos 20 de março de 1955, o “CORREIO DE IGARASSU”, concorrente direto da “VOZ DE IGARASSU”. O jornal era publicado mensalmente e circulou por mais de quatro anos.
Ainda em 1955, em resposta a criação do Correio de Igarassu, surgiu o jornal “JUVENTUDE EM MARCHA”, que se auto-proclamava como sendo “um grito contra a corrupção”. O periódico era de circulação mensal, não indicando que eram os seus redatores, tendo sido publicado pela primeira vez aos 09 de julho do já citado ano.
Anos mais tarde, em 1957, o senhor José Américo de Morais colocava em circulação o jornal “O POVO”, que se apresentava como uma opção jornalística para os aficionados pelas notícias locais. O periódico circulava mensalmente e apresentava notícias sobre sociedade, política, esportes e economia.
Mas nem só de política, economia e sociedade vivia a imprensa local. Em 1958 foi fundado por um grupo de abnegados carnavalescos, tendo a frente o senhor Guilherme Jorge Paes Barrêtto, o jornal O GERERÊ, órgão dependente e venenoso da imprensa local, com circulação durante o período momesco e cuja principal linha jornalística era a galhofa, o sarcasmo e a irreverência.
Sua publicação, segundo informações colhidas, era esperada com ansiedade pela comunidade local.
Outro jornal de vida efêmera foi a “TRIBUNA DAS NORMALISTAS”, ligado ao Grêmio Cultural 27 de Setembro da Escola Normal Regional de Igarassu. O periódico era de circulação mensal tendo saído seu primeiro número aos 20 de dezembro de 1958.
O ano de 1959 foi de eleições para o cargo de Prefeito e, o grupo ligado ao PSD local, liderado pelo então deputado Paulo Guerra, lançaram em 17 de maio, o jornal “A LUTA”, cujo objetivo maior era divulgar e defender as candidaturas de Múcio Bandeira e Barrêtto, respectivamente aos cargos de prefeito e vice.
Já na década de 60, mais precisamente aos 26 de novembro de 1961, um grupo de jovens políticos liderados pelo senhor Severino Tavares Uchôa, líder dos estudantes secundaristas no litoral norte, criaram o jornal “A JUVENUDE”, que tinha por finalidade defender as suas idéias perante a nossa comunidade. Tinha circulação mensal e suas atividades foram encerradas em 17 de março de 1962.
Anos mais tarde, aos 30 de setembro de 1965, de novo liderados pelo senhor Severino Tavares Uchôa, um grupo de igarassuenses criaram um periódico intitulado “VOZ DO MUNICÍPIO”. Era de circulação mensal e abordava notícias de cunho sócio-políticas.
Depois desse periódico, o município ficou 18 anos sem a circulação de um jornal que fosse a voz de sua gente, onde os munícipes pudessem conhecer o que estava acontecendo e, ao mesmo tempo denunciar as irregularidades ou organizar a luta contra as injustiças.
A iniciativa de organização de um novo periódico coube ao vereador Severino Oliveira que, em setembro de 1983, quando Igarassu comemorava seus 448 anos de fundação, lançou “O VIGILANTE”, que tinha por meta ser os olhos da comunidade contra a corrupção e injustiças que pairavam sobre nossa gente. O jornal era de circulação mensal e, infelizmente teve vida efêmera, tendo encerrado suas atividades em dezembro do mesmo ano.
Finalmente, o poder público municipal, tendo a frente o prefeito Jurandir Bezerra Lins, atendendo as necessidades de a edilidade possuir um hábil meio de comunicação com a população, lançou o “JORNAL DE IGARASSU”, que iniciou suas atividades em Janeiro de 1984, circulando mensalmente com notícias sociais, culturais, políticas e esportivas do nosso município. Seus primeiros diretores foram os jornalistas Petronilo Santa Cruz e Paulo Gustavo, seguindo-se Alcântara de Morais e depois, José Américo de Morais. O periódico encerrou suas atividades aos 04 de julho de 1990, na administração do Dr. Joaquim Pessoa Guerra.
Fazendo oposição ao Jornal de Igarassu, em abril de 1986, surgia a “TRIBUNA DO POVO DE IGARAÇU” – órgão independente e noticioso, ligado ao grupo político do então vereador Severino de Souza – Ninho. O periódico teve vida efêmera e tinha como editor chefe o jornalista José Florentino da Silva – Zeca Florentino. O jornal circulou dando ênfase as notícias políticas e sócias.
Outro periódico que marcou época em nosso município foi a “FOLHA DE IGARASSU” que começou a circular aos 30 de maio de 1987. O jornal apresentava-se como órgão defensor da comunidade tratando de temas ligados a política, economia e sociedade. Seu diretor era o jornalista José Américo de Morais, sendo seu editor o também jornalista Josias Florêncio, mais conhecido como quarentinha. Suas atividades foram encerradas aos 31 de julho de 1990.
Tempos depois, circularia na cidade um novo periódico “A NOTÍCIA”, auto denominando-se como “um jornal a serviço de Igarassu”. Sua circulação teve início em novembro de 1992, sendo seu editor chefe o jornalista José Américo de Morais. O jornal possuía ainda uma secretaria ocupada pelo professor Celso Oliveira e uma diretoria comercial, cujo titular era o Sr. Ronaldo Gomes. Seu último número circulou aos 10 de março de 1995.
Com o encerramento das atividades de “A Notícia”, Igarassu volta a ficar sem um jornal que levasse a sua gente as notícias de tudo  que estava acontecendo no nosso município.
Visando solucionar o problema, dois grandes abnegados da imprensa matuta, José Américo de Morais e Eudes Pereira, resolveram reorganizar e colocar em circulação o “JORNAL DE IGARASSU”, que tanto sucesso havia feito entre os habitantes locais, tornando-se uma referência no litoral norte pernambucano.
O jornal com um novo e arrojado visual, entrou em circulação em janeiro de 1996. A proposta continuava sendo a de informar com imparcialidade tudo que estava acontecendo, agora não só em nossa urb, mas, no estado, no país e no mundo. Mesmo com a experiência de tantos anos a frente de diversos periódicos, não foi fácil para Zé Américo e Eudes, manter e consolidar o jornal. As dificuldades eram imensas, mas, aos poucos, todas foram galgadas.
Em 1999, visando ampliar o espaço de atuação e penetração do jornal, José Américo e Eudes, decidem numa excelente jogada de marketing, mudar o nome do periódico para “GRANDE RECIFE”, cujo primeiro número circulou em maio daquele ano.
De lá para cá, o GRANDE RECIFE,  apesar das crises que nossa economia passou e, a imprensa matuta passa, o jornal vem se consolidando como um dos mais importantes da região metropolitana do Recife.


A MÚSICA EM IGARASSU

A música sempre foi, de todas as artes, aquela que sempre tocou mais profundamente o coração humano. Desde a antiga Grécia até os tempos contemporâneos que ela, nas suas mais diversificadas formas vem acalentando gerações e mais gerações do gênero humano, quer nos momentos de alegria, tristeza ou de patriotismo.
Igarassu, como não poderia deixar de ser, também teve seus expoentes na música. A notícia mais antiga, até agora encontrada, sobre o assunto, informa “... que em 10 de abril de 1629, Simão Furtado de Mendonça era nomeado Mestre de Capela para a igreja de Igarassu, este documento régio lhe outorgava todos os privilégios, liberdades, priminências e tudo o mais que lhe pertencer, assim e da maneira que gosavam os mestres que hão sido da dita  capela.
Aos 23 de setembro de 1749, em viagem de inspeção ao norte da Capitania, chegou à vila para uma visita de sete dias o então governador de Pernambuco Luís José Correia de Sá, que veio acompanhado do bispo. Enquanto aqui esteve participou de diversas atividades civis, religiosas e militares. Informa em seu diário, inclusive, que em todas as noites em que estive nesta vila houve bailes, entremezes e música.
Em 1859, visando aplacar os ressentimentos causados pela Revolução Praieira, D. Pedro II resolve visitar Pernambuco. No roteiro está incluída uma visita a Igarassu para onde parte de Olinda por volta das cinco e dez da tarde do dia 04 de dezembro de 1859. Por volta das 8 menos 10, chega à Monjope, onde é recebido pelo Dr. Manoel Joaquim Carneiro da Cunha. “... Ali, no pátio todo juncado e cheio de folhas odoríficas, apeou S.M. ao som do hino nacional tocado por uma música de pancadaria”.
No dia seguinte, ao visitar a vila de Igarassu “... Sua Majestade foi acompanhado pelas autoridades e por duas bandas de músicas, da entrada da vila ao pavilhão, deste à matriz, e desta a um coreto construído em frente do paço da Câmara, onde tocaram alternadamente até o momento em que partiu para Goiana”.
Na vila, nessa época, existiam uma banda de música militar e outra de uma sociedade particular, cujos dados não conseguimos localizar na documentação existente no município.
Uma outra associação que muito contribuiu para o desenvolvimento da música em nosso município foi a BANDA 1º DE MAIO, hoje pertencente ao município de Itapissuma.Não se sabe ao certo quando a Sociedade Musical foi fundada. É tradição oral que a mesma teria sido instituída em 1885 pelos senhores Hermenegildo Bento de Paiva, Mário Júlio da Cruz, João Bento de Paiva, Manoel Lourenço e Manoel Borba, todos residentes no então distrito de Itapissuma.
Em documentação coeva, a notícia mais antiga encontrada a respeito de uma orquestra em Itapissuma nos advém de 08 de setembro de 1886, quando os senhores Antônio Correia do Espírito Santo, Francisco de Paula Correia, Cosme Damião Biluca de Mello e Antônio Mariano de Barros, receberam 16$000 (dezesseis mil réis) pela tocata durante o enterro e visita da cova do Capitão Manoel Lourenço da Silva Sobrinho.
A 1º de maio pertenceu a nossa comunidade até 1982, quando Itapissuma emancipou-se de Igarassu.
Na década de 50, a Escola Normal Regional de Igarassu criou sua Banda Marcial que abrilhantou o desfile cívico de nossa cidade durante alguns anos.
Com a criação do Ginásio Municipal na administração do prefeito Múcio Bandeira, o nosso município ganhou mais uma banda marcial, que juntamente com a da Escola Normal, passou a enriquecer as festividades de comemoração a semana da Pátria.
Com a fusão da Escola Normal e Ginásio Municipal, nasceu o Colégio João Pessoa Guerra que durante toda década de 70, com sua banda marcial dirigida pelo professor João Batista Damásio – Joquinha, alegrou e deslumbrou a população de Igarassu nas comemorações de aniversário da cidade.
Em abril de 1986, em Cruz do Rebouças, um abnegado grupo de pessoas lideradas pelo Jornalista José Américo e o vereador José Francisco Ferreira, fundaram a Sociedade Musical 21 de abril, que tinha como objetivo maior estimular a criação de jovens músicos em nossa urb. Para a consecução de seus objetivos a instituição criou a Banda Musical Tiradentes, que infelizmente teve vida efêmera.
A Banda marcial Heitor Villa Lobos foi fundada em 26 de junho de 1991, por alunos da escola João Pessoa Guerra que liderados pelo presidente do Grêmio estudantil Israel Heleno de Oliveira e o aluno e primeiro regente Antonio Carlos da Silva, conseguiram na data supracitada reunir 26 alunos para iniciar este ideal. Com 15 dias da divulgação do projeto já se somavam mais de 100, porém com as dificuldades e falta de recursos, chegaram ao primeiro desfile em 27 de setembro de 1991, apenas 40 alunos que com ajuda da comunidade estudantil e da população do município, conseguiram através de rifas, bingos, pedágios e pedindo de porta em porta, arrecadar recursos para compra dos primeiros instrumentos, e assim levar o sonho a se tornar realidade.
Com a vitória nessa primeira batalha restava procurar uma forma para manter e ampliar a conquista já que tanto o governo estadual, quanto o municipal não colaboram em “NADA”, então surge à idéia de criar uma ONG para captar recursos financeiros para sustentar o projeto (pagando o regente e comprar o material necessário) então nasce a SOCI-Sociedade Cultural de Igarassu entidade que em parceria com a comunidade discente e docente da escola João Pessoa Guerra, serviria para estruturar a banda, já que as entidades governamentais não se comprometiam nesse sentido.
A partir de 1995 torna-se de utilidade publica municipal e hoje é Campeoníssima Estadual, titulo singular conquistado com a soma de todas as categorias e concursos realizados em 2005, campeões Norte-Nordeste e Campeã Nacional de Bandas e Fanfarras, títulos nunca conseguidos por uma banda de Pernambuco ou do nordeste em toda sua Historia.
Outra entidade dedicada à música foi criada aos 23 de outubro de 1994, pelo maestro e professor Elizeu de Lima Botelho, que sentindo a necessidade da abertura de um espaço voltado para tal fim, criou numa sala de aula da Escola João Pessoa Guerra a Escola de Música Carlos Gomes.
Com grande afluxo de interessados, fez-se necessário a mudança de local, indo a mesma funcionar no Centro de Artes e Cultura onde permaneceu até o ano de 2005, quando encerrou suas atividades.
Elizeu, como era chamado por seus alunos, contou com o apoio do professor Elenildo Soares e da professora de clarinete Jênifa Dantas na formação dos músicos de nosso município.
Entre seus alunos foram destaques: O monitor Márcio Rodrigues que atua no Conservatório Pernambucano de Música, os Sargentos Edilson e Elionai Patrício que tocam em bandas militares.
A Escola manteve uma Banda Musical denominada Carlos Gomes que muito contribuiu com a Cultura de Igarassu: carnavais, procissões, festas populares e outras solenidades.




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