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Pontos Turísticos

NÚCLEOS TURÍSTICOS

Existem três grandes núcleos de interesse turístico no município de Igarassu: Histórico/Monumental, Científico e de Lazer – o distrito de Nova Cruz.

HISTÓRICO/MONUMENTAL

SÍTIO DOS MARCOS: Um dos mais importantes pontos de contato entre portugueses e ameríndios. O Sítio dos Marcos, localizado na chamada barra sul do Canal de Santa Cruz - Porto de Pernambuco, é o local onde o português iniciou um longo processo de adaptação à nova terra. A construção, em 1516, da feitoria de Cristóvão Jacques é o marco inicial desse processo que culminaria com a chegada do donatário Duarte Coelho em 09 de março de 1535.

IGREJA DOS SANTOS COSME E DAMIÃO (A mais antiga do Brasil): Reza a tradição que os portugueses, após derrotarem os índios Caetés em memorável batalha ocorrida em 27 de setembro de 1535, graças à intercessão dos santos, começaram a erguer um templo votivo consagrado aos irmãos gêmeos.
As despesas para sua edificação correram por conta do Capitão Afonso Gonçalves, que em carta ao rei de Portugal datada de 10 de maio de 1548, diz textualmente: “... Senhor eu quisera os dízimos desta igreja para os gastar nela e em coisas necessárias para o culto divino e ornamentos, pois sou fundador dela e a fiz à minha custa própria...”.
A capela primitiva, provavelmente em taipa, ruiu por volta de 1590/94, segundo informação contida no livro “Primeira Visitação do Santo Ofício: Denunciações e Confissões de Pernambuco”.
No mesmo sítio e obedecendo a um alvará real datado de 11 de novembro de 1595, foi construída entre 1595/97, uma nova capela, desta vez de pedra e cal.
O professor C. Smith, titular da Cadeira de História da Arte na Universidade da Pensilvânia, nos informa: “... A igreja paroquial dos Santos Cosme e Damião, fundada em 1535, foi ampliada no século XVIII por ter sido considerada como a mais antiga do Brasil e o dinheiro usado proveio dos cofres reais”.
Hoje, após processo de restauração iniciado em 1958, a igreja recuperou suas características primitivas. Estilo: Maneirista.

CONVENTO FRANCISCANO DE IGARASSU: Com início em 1588, o convento franciscano de Igarassu foi o terceiro a ser construído no Brasil e o primeiro com o título e invocação do glorioso português Santo Antônio.
Sabe-se através de frei Manoel da Ilha, primeiro cronista a tratar do convento de Igarassu, que em 1588 o padre frei Melchior de Santa Catarina, primeiro Custódio do Brasil (1585/94), foi procurado por alguns vereadores representantes da Câmara, juntamente com algumas pessoas influentes da vila de Igarassu, os quais rogaram ao dito padre que visitasse a vila e lá escolhesse o terreno que melhor conviesse para a fundação de um convento.
“... O terreno escolhido ficava situado no fim da rua principal, defronte da descida da ladeira da matriz dos Santos Cosme e Damião, ficando seu muro da parte de trás, sobre as margens do rio,...”.
O irmão frei Antônio de Campo Maior – fundador da casa, dispõe sobre a fábrica e obra do convento, criando, também, os aldeamentos de Itapissuma e Pontas de Pedra, iniciando o processo de catequese do gentio da região.
Entre 1639/54, durante a ocupação holandesa, o convento ficou abandonado e, informa Pereira da Costa, que o mesmo foi utilizado pelos ministros protestantes.
A partir de 1660, quando é transformado em casa de noviciado, o convento começa a passar por reformas que lhes darão a feição atual.
Em novembro de 1749, a pintura do forro é concluída por José Rabelo de Vasconcelos – O Rabelo.
No ano de 1753, o já irmão terceiro Francisco Fernandes Chagas, funda a Ordem Terceira de Igarassu que em 1762 já estava com sua capela concluída, sendo benta pelo padre guardião frei Luiz do Sacramento em 16 de setembro de 1753, rezando nela a primeira missa o padre comissário frei André de São Luiz.
O altar mor em estilo regência – último estágio do barroco joanino – é enquadrado por grinaldas, idênticas as do convento de São Pedro de Alcântara em Lisboa.
A azulejaria da nave, segundo José Meco, foi feita na oficina de Bartolomeu Antunes por volta de 1745. Já os da sacristia, assentados por volta de 1765/70, obedecem ao estilo do pintor Francisco Jorge da Costa.
Em 1846 deixa de ser sede do noviciado, iniciando-se, então, um período de decadência e posterior abandono do convento pelos padres que o recuperaram no final do século XIX.
Durante a Revolução Praieira – 1848 – serviu de quartel para as tropas revolucionárias comandadas pelo coronel Manoel Pereira de Morais – senhor do engenho Inhamã.
No primeiro quartel do século passado, mas em data não precisa, foi demolida a capela da Ordem Terceira e fechado o arco que a ligava a nave.
Na década de trinta as irmãs do Bom Pastor ocuparam o convento que, depois de um surto de febre tifo, foi abandonado.
Em 1941, as irmãs da Congregação do Sagrado Coração de Jesus, assumem a administração da casa, mantendo-a até hoje.

MUSEU PINACOTECA: Instalado no antigo dormitório dos noviços do convento franciscano de Igarassu, construído em 1705, o Museu Pinacoteca foi criado por iniciativa do Dr. Aírton Carvalho, sendo aberto ao público em agosto de 1957. Reúne 24 quadros/painéis dos séculos XVII e XVIII, oriundos da Sé de Olinda, Igreja dos Santos Cosme e Damião e do próprio Convento. São destaques os quatro painéis votivos que pertencem a matriz de Igarassu. É considerado como um dos mais importantes da América Latina.

IGREJA DE SÃO SEBASTIÃO: Em 1719 os Oficiais da Câmara requeriam ao rei autorização para construção do templo, o que seria autorizado em 1722. A conclusão das obras se dá em 1735. A capela com características maneiristas relembra a estrutura da primitiva igreja dos Santos Cosme e Damião.
Durante o segundo quartel do século XIX, a capela apresentava alguns problemas, o que levou o Presidente da Província Dr. Vicente Thomaz Pires de Figueiredo Camargo, em 1837, a determinar a retirada “... das imagens da igreja... por estar em ruínas...”.
Em setembro de 1878, o coletor João da Silveira Monteiro, então administrador da capela, conseguiu do Dr. Antônio da Cunha Xavier – Juiz de Direito da Comarca – em forma de auxílio, a quantia de 200$000 (duzentos mil réis) para conclusão dos serviços que então se faziam.
A pequena influência barroca existente no seu frontão, segundo os mais velhos, foi introduzida no início do século passado pelo coronel Joaquim Didier do Rego Maciel, dono do curtume que existia onde hoje funciona a Fibras do Nordeste.
Pertencia ao Conselho Municipal, conforme se vê em documento existente no D.P.H. do Museu Histórico de Igarassu.

RECOLHIMENTO DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS E IGREJA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO: O Recolhimento do Sagrado Coração de Jesus foi fundado no dia 1º de março de 1742, por iniciativa dos Padres Miguel Rodrigues Sepúlvida e Gabriel Malagrida.
Nesse dia, mediante licença do bispo diocesano D. frei Luiz de Santa Tereza, houve a entrada solene das recolhidas, em número de vinte.
Sua principal função era amparar e educar a juventude feminina, prestando assistência espiritual às recolhidas.
Na tarde de 24 de setembro de 1749, o bispo diocesano D. Frei Luís de Santa Tereza benzeu pedra fundamental para construção da igreja do recolhimento, que foi lançada em terra pelo governador de Pernambuco Luís José Correia de Sá, então visitando a vila.
No ano de 1751, o padre Miguel Rodrigues Sepúlvida empregou todos os seus lucros como vigário de Goiana para fazer o muro que ainda hoje cerca o convento, comprando e derrubando as casas da Rua da Figueira, que passava por trás do recolhimento, fazendo passar por dentro da propriedade um braço do rio São Domingos – para serventia das recolhidas.
No primeiro dia de fevereiro de 1758, ficou concluída a obra da igreja, sendo ela benta pelo bispo diocesano D. Francisco Xavier Aranha e consagrada a Nossa Senhora da Conceição.
Com a morte do padre Sepúlvida (1768), o recolhimento entra em decadência e, em 1850, desaba sua fachada, que foi de novo levantada pelo missionário frei Caetano de Messina – de passagem para Goiana – dentro de vinte dias, congregando para este fim o povo que lhe obedecia cegamente.
O frei providencia um novo regulamento para a instituição, aprovado em 11 de dezembro de 1850 e confia a administração do recolhimento e sua igreja ao padre Florêncio Xavier Dias de Albuquerque.
Sua torre sineira teve sua construção iniciada em 1855. Estilo Barroco. Agenda para visitação: 3543.0481

CAPELA DE NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO: Não se tem dados precisos a respeito da origem da capela que, segundo tradição, seria do terceiro quartel do século XVIII.
Os serviços de restauração realizados na capela serviram para demonstrar que o ano registrado em sua fachada – 1774, é o da reforma e ampliação da mesma. “... Observou-se nas alvenarias da ilharga da epístola e nas paredes da sacristia que a edificação foi originalmente em pedra e cal, em vez de tijolos maciços, com feições e dimensões diferentes das atuais: nave com altura e comprimento menores; altares laterais ao arco do cruzeiro rasgados na parede da cabeceira da nave; sacristia sem o piso superior do consistório”.
Sabe-se, entretanto, que em 1782, conforme informação do II Livro de Tombo da vila de Igarassu, estavam concluídas as obras e a irmandade devidamente constituída, sendo seu Juiz o Sr. Joaquim Rodrigues da Costa Queimado.
Em julho de 1958, devido ao rigoroso inverno, seu teto desabou por completo. Foi restaurada em 1972 e em 1986. Estilo Barroco.

CASA DE CÂMARA E CADEIA: Na verdade, a Vila de Igarassu teve cerca de quatro edifícios diferentes que funcionaram como Casa de Câmara e Cadeia.
A primeira, já existia por volta de 1594 e estava localizada na rua Direita, entre a Misericórdia e a igreja dos Santos Cosme e Damião, sendo destruída pelos holandeses, conforme se observa em certidão existente no II Livro de Tombo da vila de Igarassu, datado de 1782.
A segunda, construída depois de 1675, com dinheiro do subsídio da carne, foi a maior de toda a província e subsistiu até a passagem de D. Pedro II por Igarassu, em dezembro de 1859, quando já estava bastante arruinada. Em 1749, foi usada pelo governador da Capitania, então de visita à vila. Nos “Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro” a página 29 e datado de 1774 aparece à seguinte informação: “... Esta vila está situada em um monte muito alto e vistoso, tem em cima na entrada da parte do sul para o norte a igreja de N. S. do Rosário dos Homens Pretos, mais adiante a igreja da Misericórdia. A Casa de Câmara é a mais asseada que há nesta Capitania com sua cadeia por baixo muito forte, e fica em lugar muito alto no meio da vila entre a igreja da Misericórdia e o Recolhimento”.
A terceira seria o atual Sobrado do Imperador, construído para funcionar como Casa de Aposentadoria e Correição, mas que, graças ao estado assaz ruinoso da dita Câmara, servia como tal.
Por último, a atual edificação, adaptada de três edifícios públicos por volta da década de 80 do século XIX.
Em 1835, o Dr. José Ferreira da Costa, Juiz Municipal, em ofício ao Presidente da Província lamenta o estado de abandono em que se encontrava o prédio.
Outro aspecto interessante diz respeito a Santo Antônio, que por ordem de D. José I, rei de Portugal, datada de 23 de novembro de 1754, determina que “... havendo sobejos nos bens desse Conselho seja dada a esmola de 27$000 (Vinte e Sete Mil Réis) anualmente aos religiosos do dito Santo com o título de protetor dessa Câmara”.
A primeira diretoria republicana da Câmara Municipal foi constituída pelos senhores Manoel do Nascimento Vieira da Cunha – Presidente, Frederico Marques da Costa Soares, Mathias Francisco Jayme Galvão, Hermínio Marques Ferreira e Theatino Carneiro Tavares de Mello.

MUSEU HISTÓRICO DE IGARASSU: Fundado em 24 de janeiro de 1954 pelo Dr. José Eduardo da Silva Brito – então presidente do Instituto Histórico de Igarassu. Em 1972, não tendo como manter o acervo, o Instituto, através de convênio, repassou para Prefeitura Municipal de Igarassu a administração do Museu que, atualmente, ocupa três casas do século XIX. Recentemente o museu foi reformado para propiciar condições físicas adequadas à conservação do acervo e a visitação pública. Seu acervo é composto por 250 peças, possuindo também, um Departamento de Pesquisa Histórica, responsável pela guarda de importantes documentos da história de nossa cidade.

SOBRADO DO IMPERADOR: O edifício, um dos onze existentes na vila em meados da década de 50 do século XIX, era de propriedade do poder público e teve sua construção iniciada depois de 1675, época em que foi edificado com as sobras do subsídio da carne, para servir de Casa de Correição e Aposentadoria.
Em 1859, estava sendo utilizado como Casa de Câmara quando da visita de D. Pedro II a Igarassu em 05 de dezembro. Aí, segundo o Monitor das Famílias, depois de visitar a vila, Sua Majestade “... deu o beija mão, jantou e descansou...” antes de seguir viagem para Goiana.
No início do século passado, serviu de residência do delegado de polícia do município. Em meados do mesmo século foi à residência oficial do prefeito municipal, Câmara de Vereadores, sede do Museu Histórico, Ginásio Municipal de Igarassu e Fórum da cidade.

CENTRO DE ARTES E CULTURA (Antigo mercado Público)
: Prédio construído por iniciativa do interventor do município Cel. Martiniano de Barros Correia para abrigar o primeiro mercado publico de Igarassu, no mesmo local onde eram realizadas as tradicionais touradas e a feira semanal da cidade. A obra, construída lentamente, só ficou concluída em 10 de dezembro de 1943, quando o mercado foi inaugurado. Em 1972, durante a administração do Dr. Clóvis Lacerda Leite, o edifício foi ampliado e reformado, perdendo suas características primitivas. Na década de 80, tendo em vista o crescimento populacional de Igarassu, foi construído um novo centro comercial para a cidade, localizado no sitio Taépe, onde em 1984 é entregue a população. Durante a primeira administração do prefeito Jurandir Bezerra Lins, foi restaurado e adaptado para servir de Centro de Artes e Cultura. Através da lei municipal nº 1.720/84, de 30 de julho de 1984, por iniciativa do Vereador Cícero Neves, foi denominado de Centro de Artes e Cultura Popular Manoel Bandeira, sendo entregue a comunidade em 07 de setembro do mesmo ano. Atualmente vem sendo realizada oficinas e aulas de danças populares.

CASA DE EX ESCRAVOS: A notícia mais antiga que temos desta casa é que foi construída em fins do século XVIII, e até 1889 foi residência do padre Manoel Ignácio Bezerra do Amaral. Após sua morte, a casa passa a ser ocupada por suas irmãs Guilhermina Americana Bezerra do Amaral e Maria Americana Bezerra do Amaral. Estas duas senhoras tinham como caseiros um casal de ex-escravos chamados Manoel e Albertina Francisca do Nascimento, que residiram no imóvel durante mais de 85 anos. Em 1989, foi reformado para servir de restaurante turístico. Até novembro de 2005 foi a sede da Secretaria Municipal de Turismo. Atualmente funciona em suas dependências uma Escola de Restauro-CVT e a sede da FUNDERCI.

CEMITÉRIO DE IGARASSU: No que diz respeito ao Cemitério Público de Igarassu sabemos que os sepultamentos tiveram início no sítio da Glória por volta de 1855, época em que o Cólera Morbus instalou-se na vila, quando a mortandade chegou a atingir mais de vinte pessoas por dia. Em 1859, segundo Adelino de Luna Freire, tentou-se transformar este cemitério provisório em definitivo. Para tanto foram congregados esforços junto à Câmara Municipal e irmandades, mas, graças “... ao pouco escrúpulo do vigário da matriz, continuaram os enterramentos a ser feitos nas igrejas...”
Nessa época, o vigário de Igarassu era o Pe. José Joaquim Lobo de Albertim, que morreu aos 82 anos, em 24 de janeiro de 1864 e, ironicamente, foi sepultado no Cemitério Público da vila.
Recentemente encontramos a informação de que Sua Majestade Imperial, o Sr. D. Pedro II, quando visitou a vila em 05 de dezembro de 1859, doou a esmola de 1:000$000 (um conto de réis) para ajudar na construção de tão importante obra.
O terreno, localizado por trás da igreja do Rosário e pertencente ao engenho Monjope, era uma área habitada por negros, logo de pouco valor comercial, sendo doado à Câmara Municipal em 1859 pelo Dr. Manoel Joaquim Carneiro da Cunha – senhor do dito engenho e depois Barão de Vera Cruz.
O projeto do cemitério é de autoria do engenheiro José Mamede Alves Ferreira e datado de 12 de outubro de 1863, sendo sua construção orçada em 5:000$000 (cinco contos de réis).

RELÓGIO SOLAR: Situado no povoado de Araripe à margem da PE-41, em frente à Produquímica - Agro-Industrial Igarassu. Foi construído no último quartel do século XIX nas terras do Engenho “Araripe de Cima” sendo um dos poucos relógios solares existentes no Brasil.  O monumento é formado por uma base quadrangular em 03 módulos, e sobre esta erigiu-se uma coluna onde está afixado o relógio. Provavelmente foi assentado pelo Barão de Itapissuma.

PONTE DE SANTO ANTÔNIO E SÃO JOSÉ: Não se sabe ao certo a data da sua construção. Informações dão conta que, por volta do início do século XVIII, a ponte em madeira e o seu aterro já estão construídos.  Sobre sua designação, o II Livro do Tombo da vila de Igarassu, datado de 1782, ao se referir a igreja de São Sebastião, informava que aquele templo estava localizado do outro lado da vila, “...além da ponte de Santo Antônio e São José e que, um e outra, pertenciam ao Conselho...”. Em outras tantas correspondências para o governador da Capitania e, depois para o presidente da Província, a Câmara Municipal, reclamava obras de manutenção em tão importante equipamento urbano, responsável pela ligação terrestre de todo trânsito para o norte do país.

-RUÍNAS-

IGREJA DA MISERICÓRDIA: Construída, provavelmente, em meados do século XVI, a igreja já existia em 1594 quando, em janeiro, foi feita a leitura do Edito da Fé e do Monitório Geral, dando início aos trabalhos da Inquisição em Igarassu. Seu orago era “A Visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel”.
Em 1º de maio de 1632, foi saqueada pelos holandeses, caindo então em abandono.
No ano de 1640, os habitantes da vila solicitaram permissão ao Príncipe Nassau para restaurá-la, alegando que ameaçava ruir e que não estava servindo aos ministros protestantes como a de São Francisco.
Em 1727 a irmandade tentou, de novo, reconstruir a igreja, todavia o auxílio real de quatro mil cruzados, não foi suficiente, tanto que do Catálogo das Ordens Reais, organizado pelo Dr. Francisco Bezerra Cavalcanti de Albuquerque, há este desalentador esclarecimento: “desta irmandade não existe mais do que o edifício do seu templo, e uma pequena enfermaria sem o exercício do seu caridoso fim”.
Em agosto de 1854, o Dr. Adelino de Luna Freire concedeu à irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos da Graça, por força da Lei Provincial nº 279, de 06 de maio de 1851, a posse de todos os bens e alfaias da igreja da Misericórdia.
Depois de visitar a igreja em 05 de dezembro de 1859, D. Pedro II escreveu em seu diário: “... A Misericórdia deveu ser um bom templo, mas a capela mor desabou quase toda, e os ladrilhos de tijolo do chão do corpo da igreja estão arrancados e os ossos espalhados. Sobre o arco do cruzeiro e na face inferior duma espécie de dossel de madeira lê-se: obras feitas pelo provedor João de Abreu Carvalho na era de 1776”.

IGREJA DA SANTA CRUZ: Já existia no último quartel do século XVI, conforme notícia que aparece no alvará régio que determinava a abertura de uma finta para reconstrução da igreja dos Santos Cosme e Damião, datada de 11 de novembro de 1595.
Em 1668, no Livro Primeiro de Registro da Câmara, há o requerimento de “... Felipe Guedes Alcoforado Juiz da irmandade do Bom Jesus de Braços, que para utilidade da igreja de Santa Cruz que estava levantando, queria fazer umas casas para um ermitão, e outra para sua vivenda, pedia os chãos que começam dos chãos de Antônio da Rocha Preto para dita igreja, indo pela estrada que vai para a Pitanga e voltando pela estrada de carro que vai para o convento até intestar com o quintal do dito Antônio da Rocha Preto, visto que com a guerra se haviam perdido os títulos dos chãos que a dita igreja tinha, sendo que em algum tempo aparecesse herdeiro dos donos dos ditos chãos os pagaria pelo seu justo valor e que visto pelos ditos oficiais da Câmara, assim o mandaram aos vinte e dois dias de dezembro de mil seiscentos e sessenta e oito...”, conforme cópia existente no II Livro de Tombo da vila de Igarassu, página 13.
A partir de 1695, em documentos oficiais, encontramo-la com a denominação de Nossa Senhora dos Prazeres.

IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DOS HOMENS PRETOS: Já existia em 1701, conforme certidão existente no II Livro de Tombo da Vila datada de 16 de abril daquele ano, onde Joana da Costa aforou “... uns chãos para uma casinha na Rua Direita desta vila, antes de chegar a Nossa Senhora do Rosário...”.
A irmandade do Rosário, que era mantenedora da igreja, era constituída por homens de cor. Fato bastante curioso é que o tesoureiro da mesma não podia ser escravo.
Em 1921 se realizava em suas dependências o terço em homenagem a Virgem Maria.

-ENGENHOS-

ENGENHO ARARIPE: A palavra Araripe é de origem Tupi e, segundo Teodoro Sampaio, significa “no rio dos papagaios”.
As notícias mais antigas que temos sobre o engenho nos advém de março de 1584, quando parte do engenho, com destino a Paraíba, as tropas de terras destinadas à conquista daquela Capitania. Nessa época o engenho pertencia ao Florentino Felipe Cavalcanti.
No século XVII (1665), o engenho é assinalado no mapa de Johannes Vingboons, aparecendo já dividido em duas propriedades: Araripe de Cima e Araripe de Baixo.
Nos livros de registro de batizados da Paróquia dos Santos Cosme e Damião, o engenho aparece em 1770 com uma capela sob a invocação de Santa Luzia. A respeito da imagem orago, encontramo-la, ainda recentemente na nova capela construída pelo grupo Votorantin.
Na década de sessenta, do século passado, com o início da construção da CAII, foram demolidos o sobrado, a capela e outros edifícios do antigo engenho.

ENGENHO INHAMÃ: O nome Inhamã é de origem tupi e segundo Alfredo Carvalho significa água em torno, círculo d’água.
As notícias mais antigas encontradas sobre o engenho datam de fins do século XVI, no livro das Denunciações e Confissões de Pernambuco 1593/95 onde existe uma denúncia contra Pedro Álvares – carpinteiro morador em Inhamã, acusado do crime de bigamia.
Em 23 de outubro de 1600, Antônio Jorge e Maria Farinha, senhores do engenho, desmembraram parte das terras – oitocentas braças em quadra, e as doaram aos jesuítas do colégio de Olinda, que construíram nelas o engenho Monjope.
Em maio de 1632 a propriedade pertencia a André Coelho de Faria e foi usada pelos holandeses para descanso de suas tropas quando se encaminhavam para o ataque a vila de Igarassu.
Dois documentos holandeses: Breve discurso sobre o Estado das quatro Capitanias Conquistadas (1638) e o Relatório sobre o Estado das Capitanias Conquistadas (1639) nos apresentam a propriedade da seguinte forma:

1- 
Engenho Aiama de Riba, sob a invocação dos Fiéis de Deus. Pertenceu a Pero da Rocha Leitão, que foi enforcado no arraial por ter correspondência conosco; pertence agora aos seus herdeiros, é engenho d’água e mói.

2- 
Engenho Aiama de Baixo, sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário, pertencente a Manuel Jácome Bezerra, que ficou conosco; é engenho d’água e mói.

Outra informação interessante trata da propriedade do engenho pelo líder da Restauração Pernambucana João Fernandes Vieira, que o teria adquirido em um leilão e, depois vendido ao Licenciado Pedro Monteiro de Queiroz, conforme cita em seu testamento.

ENGENHO MONJOPE: As primeiras notícias sobre Monjope nos advêm de 23 de outubro de 1600, quando Antônio Jorge e sua mulher Maria Farinha, proprietários do engenho Inhamã, doaram aos Jesuítas em graça, uma quadra de terras medindo oitocentas braças.
O engenho foi o mais famoso entre os que possuíam os Jesuítas em Pernambuco.
No ano de 1679, Monjope era “residência autônoma e distinta”, trabalhando nele, em 1692, perto de cem escravos.
Em 1722 o engenho, apesar de estar muito bem equipado e com muitos escravos, não produzia o que dele se esperava. Só em 1742, quando se achava em plena atividade, produziu vinte e duas caixas de açúcar.
As atuais construções datam de meados do século XVIII. Sua capela, dedicada a São Pedro, foi construída em 1756, sendo restaurada em 1816 e remodelada em 1926 por Vicente Novelino Filho, quando é construída sua torre.
A partir do último quartel do século XVIII, o engenho passa a pertencer à família Cavalcanti de Albuquerque, oriunda do Apoá.
Em 04 de dezembro de 1859, o Imperador D. Pedro II chega ao engenho, onde é recebido pelo Dr. Manoel Joaquim Carneiro da Cunha – depois Barão de Vera Cruz, e aí pernoita.
No seu diário de viagens, D. Pedro II faz o seguinte comentário sobre a propriedade: “... Às 5 e 10, parti caminho do norte e 8 menos 10 cheguei a Monjope,... que é grande, bem situada, o que não admira pois foi dos Jesuítas...”.
Em 1890 a propriedade foi hipotecada à Companhia Beberibe, mas, por falta de pagamento foi vendida, no início do século passado, ao Sr. Vicente Antônio Novelino pela quantia de 66:000$000 (sessenta e seis contos de réis).

ENGENHO GONGAÇARY: Localizado próximo ao povoado de Cuieiras. O engenho é de propriedade do Grupo Votorantim, sob a administração da Agropecuária Tiúma Ltda. O conjunto é formado por um chalé, moita, onde funciona o escritório do empreendimento e por uma capela com características barroca. A palavra Gongaçary é oriunda da junção de duas palavras de línguas diferentes: Gongá é Quibundo e significa sabiá, Çary é Tupi e significa golada, juntando as duas palavras teremos sabiá-golada (Gongaçary), ave muito comum na região. Tem-se notícias do engenho desde o longínquo ano de 1711. Durante a revolução Praieira, o engenho foi invadido diversas vezes pelas tropas legalistas. Em 1897 o engenho fica hipotecado ao Banco Popular, as pendências com o banco só seriam resolvidas em 1919. Encontra-se em bom estado de conservação.

OUTROS ENGENHOS QUE PERTENCERAM AO MUNICÍPIO: Jaguaribe; Tabatinga; Mussupe; Tapipiré; Aguiar; Cumbe de cima; Cumbe de Baixo; Desterro; Jardim; N.Sra. da Piedade; Primavera; Regalado; Pirajuí; Mundo Novo; Bom Sucesso; Imperioso; Caités; Mussupinho; Caiapé; Mamulengo; Caraúna; Campinas; Caianna; Chã Grande; Pirajuí; Mazargão; Maurity; Mangabeira; Machado; Purgatório; Penedinho; Pegetinga; Triunfante; Utinga; Santo Antonio; Santiago; Timbó; Ubú e Engenho Novo.

CIENTÍFICO

COROA DO AVIÃO: ALocalizada no distrito de Nova Cruz e com cerca de dois hectares de área não inundável, a ilhota Coroa do Avião é sem dúvida alguma, um dos principais atrativos turísticos do litoral pernambucano, não só pela sua beleza e excelente situação geográfica (está em área estuarina, bem próxima do continente e de fácil acesso), mas principalmente pela importância que tem no ciclo de vida de algumas aves migratórias (várias espécies de maçaricos e gaivotas) que a utilizam como local para sua alimentação, muda de plumas e em alguns casos, como habitat no aguardo de uma nova temporada migratória.
Além de sua bela paisagem natural e banhos em suas águas claras e mornas, a ilhota Coroa do Avião conta ainda com atrativos ímpares: a Base de Pesquisa de Aves Migratórias e um Eco-Museu, administrados pela Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE.
Como equipamentos turísticos, a ilhota possui sete palhoças, onde o turista pode saborear deliciosos petiscos de frutos do mar.

REFÚGIO ECOLÓGICO CHARLES DARWIN: Com 70 hectares de floresta Atlântica, o Refúgio é dirigido pelo Dr. Roberto Siqueira e conta com a colaboração de 45 pesquisadores de diversas Universidades da região. Em sua estrutura possui um Museu Vivo, o Criadouro Muriqui de Primatas e uma Sementeira de árvores nativas ameaçadas de extinção. Em 1996 recebeu o prêmio Vasconcelos Sobrinho, o Oscar da ecologia pernambucana, concedido pela CPRH.

REFÚGIO DAS BROMELHAS: No 1º semestre de 1982, o artesão/paisagista Adinelson Vieira Dantas, preocupado com a degradação de uma imensa área de mangue existente na parte posterior da residência de seus pais, resolveu criar um espaço para a cultura de camarão de água doce, que abundava naquela várzea.
Para tanto, era necessário reformar todo aquele complexo de lama, capim e mangue, sem destruir a natureza e o ecossistema do local. O terreno em tudo era favorável: nele havia algumas fontes naturais de água, matéria essencial para o bom andamento do projeto.
Ao mesmo tempo em que cuidava da criação dos camarões, Pequeno, como é conhecido por seus amigos, percebeu a possibilidade de trabalhar com bromélias nativas e plantas ornamentais, naqueles momentos inicias oriundas de São Paulo.
Em 1992, dez anos depois de iniciado o processo de organização do espaço, os viveiros foram remodelados para atenderem a esta nova faceta da preservação ambiental, dando origem à configuração atual do espaço.

RIO SÃO DOMINGOS: O Rio São Domingos foi chamado primitivamente pelos índios nativos de rio Jussara. Tem sua nascente no córrego do arregalado na cidade de Abreu e Lima, e possui um curso de aproximadamente 50 Km de comprimento. Recebe como principais afluentes o riacho do Paulo, os rios Taépe e Tabatinga, como também os rios Bonança, Utinga, Monjope, Maniquara e os riachos Pitanga e Arrombados. O São Domingos desemborca no Canal de Santa Cruz, no limite entre os municípios de Igarassu e Itamaracá, em frente ao vilarejo de Vila Velha.
A nomenclatura São Domingos foi dada quando os portugueses sob o comando do capitão Afonso Gonçalves - fundador da vila de Igarassu, iniciou uma expedição pelo rio à procura de água potável para o consumo das tropas portuguesas, e um local adequado para a construção de um engenho para a produção de açúcar - produto na época de grande valor comercial. Essa expedição ocorreu no dia 08 de agosto, data em Portugal consagrada a São Domingos, motivo pelo qual, recebeu o mesmo este nome. As águas do rio também serviram de cenário para inúmeras batalhas entre os índios caetés e os portugueses. Os nativos usavam grandes canoas que tinham a capacidade de deslocar mais de 15 homens. Já os colonizadores com pouco conhecimento da região se utilizaram de batéis, barcos bastante pesados para aquele tipo de luta e navegação.

DE LAZER - NOVA CRUZ

Nova Cruz, como as regiões vizinhas – Vila Velha, os Marcos e Itapissuma – foi um dos primeiros pontos de contato entre europeus e gentios. Seu porto, embora de acesso difícil, pois a sua barra é muito rasa, foi com certeza utilizado por portugueses, franceses e holandeses.
Sabemos hoje, que em 1540, Duarte Coelho doou a Vasco Fernandes Lucena algumas terras no lugar onde se mete o rio Jaguaribe com o rio que se chama Ayamá (Inhamã).
A simples constatação desse fato nos mostra que a partir daquele ano (1540), a região passa a ser habitada e que, possivelmente em 1573, já existia um engenho de fabricar açúcar nas proximidades da hoje vila de Nova Cruz.
No distrito o visitante encontra as praias da Gavoa, do Capitão e o Zumbi Safári – um moderno centro ecológico e de lazer.
Uma visita ao Mirante Natural, que possui uma das mais deslumbrantes vista do litoral pernambucano, estando localizado no Loteamento Colinas 77, é parada obrigatória.
Mais abaixo, e próximo ao canal, está à singela Capela de Nossa Senhora das Dores, construída no último quartel do século XIX e que foi inaugurada solenemente em 30 de dezembro de 1888, com a benção do templo e da imagem da padroeira.
A localidade, juntamente com Itamaracá e Maria Farinha, faz parte de um dos mais modernos centros de esportes náuticos do país, onde o encontro do turista com o sol, o mar e a história, fazem-se de forma ímpar.
Na vila é possível atravessar de barco ou balsa para o vizinho município do Paulista.

-PRAIAS-

PRAIA DO GAVÔA
: Localizada
no Sítio do Ramalho, Distrito de Nova Cruz, a pouco mais de 16Km da sede do município. Com uma extensão de aproximadamente 1000 m e morfologia plana a suavemente ondulada, sua águas são pouco profundas com pequenas ondas e grande intensidade de maré, com recuo superior aos 1.000 m na baixa-mar. As areias são claras com granulometria média, sendo a vegetação dominada por coqueiros e espécies rasteiras.  Ocorrência de ancoradouros naturais para pequenas embarcações, além da marina do Hotel Gavôa, se dando a ocupação humana através do mesmo. Encontra-se em bom estado de conservação. Nos períodos de baixa-mar, suas areias chegam até a Ilhota Coroa do Avião.


PRAIA DO CAPITÃO: Localizada no Sítio do Ramalho, Distrito de Nova Cruz, a pouco mais de 15Km da sede do município. Com uma extensão de aproximadamente 2.000 m, apresenta morfologia plana, passando a quebrada na sua porção mais ao sul. Suas águas são pouco profundas, com pequenas marolas e grande intensidade de maré, com recuo na baixa-mar superior aos 500 m. Suas areias são claras e de granulometria média, sendo a vegetação dominada por coqueiros e espécies rasteiras. Existência de ancoradouro natural para pequenas embarcações.  A ocupação humana se dá através da Pousada Porto Canoas e pelo Pólo Gastronômico. Encontra-se em bom estado de conservação. 

PRAIA DOS MARCOS: Localizada no Sítio dos Marcos, Igarassu sede. A pouco mais de 5 Km da sede do município. Formada pelas águas do Canal de Santa Cruz, seu entorno é marcado pela Ilha de Itamaracá, pelo próprio canal e seu manguezal e por algumas casas de veraneio.  A praia está situada próximo ao Sítio Histórico, conhecido como “Sítio dos Marcos”, localidade onde desembarcou Duarte Coelho em 1535 e onde está fincada uma réplica do marco divisório das capitanias de Pernambuco e Itamaracá. O marco original encontra-se no Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco. Com extensão de aproximadamente 300 m e morfologia quebrada, suas águas são pouco profundas, apresentando pequena intensidade de maré, com recuo de cerca de 15 m. No período de preamar a faixa de praia é totalmente coberta pelas águas do canal.  Suas areias são finas e escuras. A vegetação ocorrente é de mangue e coqueiros.




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